Pular para o conteúdo

JournalCases & Mercado

O Brasil na Copa de 2026: o que as marcas têm a aprender com o maior evento de futebol do mundo

A Copa de 2026 acabou. A Espanha levantou a taça, o Brasil caiu nas oitavas para a Noruega, e a Brahma não vai distribuir cerveja de graça para ninguém. Mas o que ficou de tudo isso, além da frustração da torcida, foi uma coleção de campanhas publicitárias mostrando algo que vai além do resultado em campo: o Brasil sabe usar o futebol como linguagem de marca como pouquíssimos países no mundo.

O futebol como símbolo

Existe uma distinção importante que separa as marcas que funcionam bem em Copa das que desaparecem junto com o apito final.

As que funcionam não usam o futebol como tema. Elas usam o futebol como linguagem. Tema é a Copa, o jogo, o resultado. Linguagem é o que o futebol significa para quem cresce aqui: pertencimento, emoção coletiva, identidade nacional, a sensação de que um país inteiro está sentindo a mesma coisa ao mesmo tempo.

O Brasil é o único país do mundo presente em todas as edições da Copa. Cinco títulos. Pelé, Ronaldo, Ronaldinho, três gerações que viraram símbolos muito antes de virar publicidade. Não é só tradição esportiva. É matéria-prima de comunicação que nenhum outro esporte brasileiro carrega da mesma forma.

As marcas que entendem isso constroem comunicação que dura além do torneio. As que não entendem fazem post verde e amarelo por um mês e voltam para rotina sem ter construído nada.

O que as marcas brasileiras fizeram diferente em 2026

A movimentação publicitária antes e durante a Copa de 2026 foi intensa. O torneio movimentou cerca de US$ 10,5 bilhões em investimentos globais de mídia, segundo a WARC, e a previsão para o Brasil era de crescimento de 9,1% no setor, segundo a Dentsu.

Mas o volume não é o que chama atenção. É o nível de inteligência criativa das campanhas nacionais.

Brahma foi a que mais gerou conversa. A campanha "Tá Liberado Acreditar" construiu uma promessa ousada: se o Brasil ganhasse o hexa, a marca distribuiria cerveja de graça para todos os brasileiros, via Zé Delivery, supermercados parceiros e bares credenciados em todo o país. A operação logística já estava pronta antes do apito inicial. O anúncio foi feito ao vivo durante a transmissão do último amistoso, com Ronaldo Fenômeno e Ancelotti.

O Brasil não ganhou. A Brahma não precisou abrir a torneira. Mas o recado ficou: "Se não vier, a mensagem continua válida." Não foi sobre o resultado. Foi sobre o posicionamento da marca ao lado da crença do torcedor, mesmo sabendo que a probabilidade de ter que pagar era real.

Volkswagen voltou a patrocinar a CBF após 12 anos com a campanha "Sonhos", estrelada por Ancelotti. O mote era "A gente sonha porque confia" e a trilha saiu de um samba-enredo de 1978, ligando a história de uma montadora alemã ao imaginário afetivo do futebol brasileiro. A AlmapBBDO, mesma agência da campanha com Elis Regina, assinou o trabalho.

Nike lançou a nova camisa da Seleção com o filme "Alegria que Apavora", criado pela Wieden\+Kennedy. Não era um anúncio de produto. Era um manifesto sobre o jeito brasileiro de torcer.

Uber colocou Ronaldinho Gaúcho no centro de uma coletiva de imprensa fictícia para escalar seu próprio time de convocados, cheio de pessoas improváveis. O conceito "Chega junto" funcionou porque usou o deboche carinhoso que só quem conhece o Ronaldinho e o brasileiro entende.

Sadia ativou o território da brasilidade com "Estrelas", pela Africa Creative, conectando a identidade da marca com momentos históricos do futebol nacional.

O que todas essas campanhas têm em comum? Nenhuma dependeu do resultado do Brasil para funcionar. Cada uma encontrou seu ângulo dentro do mesmo território emocional. E é isso que separa uma campanha de Copa que fica de uma que some junto com o apito final.

Lembrança de marca não é sobre o torneio. É sobre o que fica depois.

Uma pesquisa do Meio & Mensagem mostrou que Coca-Cola, Nike e Itaú lideram a lembrança espontânea de marcas associadas à Copa. Não por terem feito as campanhas mais barulhentas de 2026. Por habitarem o território do esporte com consistência há décadas.

Copa do Mundo não é uma janela de mídia. É um evento cultural que para o país. Marcas que aparecem só durante o torneio, sem uma história com o esporte antes, raramente constroem lembrança real. O que fica são as marcas que já estavam lá quando o jogo começou.

O Brasil pode não ter chegado à final. Mas as marcas que entenderam o que o futebol significa para esse país fizeram comunicação que vai durar muito além de julho.

O que a Typic vê nesse mercado

Trabalhamos com o segmento esportivo há anos. Passamos por rebranding de varejistas de esportes de raquete, pela tropicalização de marcas internacionais de tênis e pela construção de comunicação que conecta produto físico com a identidade de quem pratica o esporte.

O que fica claro nesses projetos é o mesmo que vemos nas grandes campanhas de Copa: quando a marca entende o que o esporte significa para quem o pratica, a comunicação para de ser propaganda e começa a ser pertinência.

Não precisa ser Copa do Mundo para isso acontecer. Pode ser um campeonato estadual de beach tennis, um torneio regional de padel, um evento de corrida de rua. O território é o mesmo: pertencimento, identidade, emoção coletiva.

Vamos marcar um papo sobre como a sua marca pode se posicionar no esporte com consistência?

typic.com.br

Isso aqui é o que a gente aplica nos clientes. Quer no seu negócio?

Traga seu desafio

Continue lendo